“Querido,
Eu admito, eu sou simplesmente uma estúpida. Vivo me envolvendo com tudo o que sei que vai me machucar, e o final é sempre aquele simples clichê. Tola eu fui de mal interpretar aqueles olhares - fui tola, mas não fui a única - e pensar que dentre as suas intenções, me ter era uma delas. Você era convidativo, possuía tudo aquilo que me atraía, sabia como usar as palavras - e oh, como eu amo aqueles que sabem usá-las. Seu jogo de atração funcionou comigo e no instante em que meus olhos se cruzaram com os seus, aquele sentimento repugnante que eu tento evitar, apossou-se de mim. Imagino eu, a inexperiente, porém tão vivida menina, que tu já tenhas entrado em jogos assim inúmeras vezes, pois a maneira com que ganhaste - meu coração - fora simples, porém suicida. Assim que notei que tu já não olhavas mais pra mim como antes, eu percebi. Estava perdida. Simplesmente perdida naquela profundidade de olhos escuros, que assemelhavam-se a um pântano, e que ao mesmo tempo, prendia-me como labirinto. Então percebi que jamais deveria ter entrado em um jogo tão perigoso, que colocaria tanta coisa à mercê. Você me ganhou, e eu gostaria que você usufruísse disto de alguma maneira, mas acho que o prêmio simplesmente perde a graça depois que é conquistado. Sei que eu refiro a mim mesma como se fosse um objeto, mas é assim que me sinto. Completamente vulnerável aos seus olhares, a seu toque e às suas palavras. Você pode pegar-me com a mão que quiser e colocar-me na prateleira que preferir. Mas basta encontrar-te em meus sonhos, e tudo parece fazer sentido novamente. Como se meu único propósito de existir fosse ser apenas esse: perder-me em você. Acho que nunca fui tão perdida e tão achada. Como pode? Como pode um sentimento tão ambíguo apoderar-se tão poderosamente de mim? Admito que minha força sentimental - contrária à física - nunca fora exatamente eficaz. Talvez seja apenas o que acontece quando se resolve uma fração e se descobre que ela é vazia. Acontece que eu mal te conheci, não precisei. Era como se cada peça se encaixasse e como se instantaneamente, tudo fizesse sentido. E eu nunca achei que em minha vida faltasse algum sentido - até que encontrei você. Aliás, devo admitir-lhe que foi você quem me encontrou. Talvez a maneira brusca com a qual paraste de olhar pra mim seja apenas mais uma parte do jogo. Agora estou lutando. Eu não sei o que quero - aliás, sei muito bem que o que eu quero é você -, mas talvez eu só queira a parte de mim que tu levaste consigo de volta. Devolve. Devolve o que me é de direito, me deixa ser feliz.
Com amor,
Eu, a sua “ela”.”
~ Isabela Castilho.
“Se você ama alguém, ame de verdade. Não se importe com a cor dos olhos ou da pele, o tamanho, cabelo ou sua cor, sua religião ou seus costumes. Ame pelo seu caráter, pelo o que realmente é.”